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Memorial Covid

Rio de Janeiro

Sobre o projeto

O memorial proposto, denominado ‘Epicentro da Vida’, emerge como um símbolo físico e emocional desses tempos desafiadores enfrentados como única opção. Localizado no campus sede da Fiocruz em Manguinhos, Rio de Janeiro, repleto de vegetação natural, a ser preservada e celebrada, o memorial ocupa exatamente a localização do lago pré-existente, tomando seu lugar e forma como parte integrante do partido de implantação da obra. Sua estrutura respeita e preserva a natureza ao seu derredor.


Os anéis do memorial criam a promenade convidativa aos visitantes, para embarcarem em uma caminhada solitária, de contemplação e reflexão. No percurso dos corredores formados pelas paredes curvas, são imersos em uma dinâmica de luz e sombra, refletora da dualidade na experiência humana durante a pandemia: os momentos de escuridão, contrastando com os lampejos de esperança que nos guiaram adiante. Nesse caminho, as curvas impedem a visão e compreensão do que pode estar por vir.

A chegada tímida na clareira central ofusca a visão, faz demorar a compreensão espacial e, aos poucos, o visitante começa a apreciar o céu e a paisagem emolduradas internamente pelos anéis. O exterior então se torna tão importante quanto o interior do memorial. A água canalizada para o espelho d’agua cria um único efeito sonoro, um ruído branco, mascarando o barulho da avenida ao lado, permitindo um ambiente de foco. Esse elemento cria uma metáfora visual, o ímpeto humano de controle sobre a natureza em busca do progresso da cura.

A transição entre o interior e o exterior do memorial é essencial para transmitir a mensagem implícita: a vida está em constante movimento. E somente ao reconhecermos nossa conexão com o mundo ao nosso redor, podemos verdadeiramente encontrar significado e renovação. Assim, o ‘Epicentro da Vida’ não é apenas um monumento estático, mas sim um espaço vivo, refletindo a jornada contínua da humanidade em direção à cura e à resiliência. É um símbolo de esperança, solidariedade e resistência em tempos difíceis.

Ao nos refugiarmos dentro dessas paredes curvas, não estamos nos isolando do mundo novamente, mas sim encontrando um ambiente onde podemos nos reconectar com nossa própria humanidade, celebrar os envolvidos na nossa jornada de busca pela imunização e honrar aqueles perdidos durante a pandemia.


Às 711 mil vidas perdidas, nossa memória eterna.

Equipe: Matheus Carvalho – autor/responsável técnico; José Henrique Freitas – autor; Lucas Ferro – colaborador; Luca Augusto – colaborador; Lucas Araujo – consultor em paisagismo.

  • Tipologia

    Concursos e premiações

  • Localização

    Rio de Janeiro

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